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Resposta Ao Comentário da Pseudo no "Post" Abaixo

por Mammy, em 18.09.13

A Pseudo escreveu assim: "Que exagero, Mammy! O programa só tem esse objectivo em mentes muito mesquinhas. Ele é essencialmente usado para verificar o consumo do cartão. :)". (http://sermaeetramado.blogspot.pt/2013/09/giae-ai-ai.html)

E eu respondo assim:

 

Pseudo, Tens razão, sou um bocado exagerada e, por vezes, sinto as coisas mais fortes do que elas são na realidade. Mas no caso desta plataforma, infelizmente, não me parece que seja exagero meu.

 

Senão vejamos: - a plataforma GIAE tem mais funcionalidades do que a de verificação dos consumos do cartão. Através dela, além dos consumos em almoços e papelaria, respectivos carregamentos e marcações das refeições, os pais têm acesso aos sumários das aulas, faltas dos alunos e dos professores e, conseguem até saber se o seu educando chegou atrasado à aula (caso o professor lhe marque falta e depois da sua chegada, a retire).

 

Saber tudo isto não seria um problema se fosse contado pelo educando ao educador, ou até mesmo pelo professor aos pais. Mas quando é sabido através de uma plataforma informática, aí, passa a ser um problema. Porque se corta no diálogo e se o substitui por um clique; porque seguir os filhos através de um ecrã de computador dá uma falsa ideia de controlo e acompanhamento; e porque, ao utilizarmos estes meios impessoais e à distância, estamos a permitir que nos afastem fisicamente dos nossos filhos, em prol de uma falta de tempo para os acompanhar que acabamos por consentir.

Seguir os filhos através de um computador não é segui-los, não é apoiá-los, não é estar presente. É camuflar a nossa ausência na vida deles, enganando-nos com a ideia de que sabemos o que fazem, como estão e do que precisam. Na verdade, através do GIAE não sabemos nada sobre eles, mas achamos que sim. E isso é que é perigoso, o fingimento para connosco próprios, para com os pais que deixámos de ser sem sabermos.

O clique que nos ilude com a falsa presença permanente na vida dos nossos filhos devora a proximidade, o diálogo, a relação pais/filho. Consome-a e substitui-a por um nada que achamos tudo.

 

E é isso que me assusta!

publicado às 00:12



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