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Diferença ou Igualdade?

por Mammy, em 28.07.13

Eis a questão...

Quando educamos os nossos filhos, o que lhes queremos transmitir?
Queremos que sejam felizes, certo? Mas onde encontrarão eles a felicidade? Na integração social ou na riqueza de valores?
Gostaríamos de poder responder "nas duas!". 
Mas nem sempre isso é possível... Se a sociedade é injusta e sem valores, incutir-lhe valores fortemente vincados, não irá fazê-los sentirem-se desintegrados? Se estão integrados numa sociedade injusta, será que os valores estão bem interiorizados?
Assim, o que escolhemos? Integrar ou valorizar?
Ao longo destes nove anos de maternidade, tem-me assaltado esta dúvida inúmeras vezes...

Até agora, tenho optado pelos valores.
Tenho feito tudo para que o meu filho saiba distinguir a justiça da injustiça; saiba olhar a diferença sem preconceitos; tenha uma visão do mundo o mais vasta possível; conheça todo o tipo de pessoas, experimente gastronomias diferentes, contacte com várias formas de arte; visite outros países e outras culturas; descubra religiões e modos de vida variados; e no final, encontre os caminhos que pretenda trilhar.
Desde muito pequenino que, eu e o pai, temos batalhado por lhe dar o mundo a descobrir. Evitámos que lhe transmitissem ideias estereotipadas e incentivámos a que cultivasse sempre um espírito crítico.

Hoje, passados nove anos, ele é um menino diferente. Ao contrário da maior parte dos colegas, ele teve experiências vastas e conhecimento mais profundo da diversidade da espécie que lhe permitem ter uma mente mais aberta. Comparando com alguns dos colegas, ele aceita melhor a diferença seja ela qual for. Não discrimina as pessoas por serem velhas ou novas, pretas ou brancas, altas ou baixas, gordas ou magras, religiosas ou não-religiosas, hetero ou homossexuais. Aceita-as, interroga-se e utiliza os conhecimentos e a mente aberta para descobrir mais um bocadinho deste mundo gigante.
Nós, pais babados, orgulhamo-nos disso.
Mas, e há sempre um "mas" a lixar isto tudo, sentimos que ele, por ser diferente da grande maioria, está pouco integrado nesta sociedade fechada, preconceituosa e discriminadora em que vivemos. Sentimos que os outros o discriminam por ele não ser igual a eles, e o que o difere é aceitar a diferença dos outros sem preconceitos, o que torna "a coisa" bastante irónica e traz-nos de volta a dúvida "será que estamos a fazer bem em educá-lo a ser diferente da maioria?".
Com esta dúvida, surgem outras como "será que ele terá capacidade para gerir o desprezo e a discriminação que vai sofrer?", "será que ele não seria mais feliz se fosse mais parecido com os outros, se partilhasse os mesmos ideais?", "se ele pudesse escolher a educação que lhe damos, será que seria esta a que escolheria?".

E a grande questão impõe-se: A felicidade está na diferença (sabendo que esta acarreta uma boa dose de discriminação) ou na igualdade (sabendo que esta é desprovida dos valores que defendemos)?

publicado às 01:27

O "Post"

por Mammy, em 27.07.13
Amanhã, vou escrever um post. Outro. Não este. Será sobre dúvidas maternas ou maternais. Sei lá.  Estou cheia de sono e já não digo coisa com coisa. Muito menos escrevo...

спакойнай ночы! (Diz que isto é boa noite em bielorrusso).

publicado às 00:03

Sexismo

por Mammy, em 25.07.13
No comboio, um menino ao colo da mãe mete-se com uma senhora que faz croché.

- Estás a fazer o quê? - pergunta.

- Estou a fazer carteiras... mas é para meninas. - responde a senhora.

- Então, porque é que estás a fazer em azul?

- O azul não é só cor de meninos... há meninas que também gostam de azul. Por exemplo, eu sempre gostei mais de azul do que de cor-de-rosa.


"Ah sim? E o cor-de-rosa é cor só de meninas porquê? E as carteiras são só para meninas porquê?"- apeteceu-me perguntar.


Do Google Images

publicado às 23:58

Sede

por Mammy, em 21.07.13

Vontade de beber a paisagem.
Sede de cores, sons e cheiros.
Sede de ruas vazias e de silêncio.
Sede da essência das coisas e da pureza do sentir.
Sede da brisa que lava os pensamentos, do sol que queima as amarguras.
Sede de mim.
Sede de ti.

publicado às 12:10

Estranho...

por Mammy, em 20.07.13
Estranho é pensar que todos nascemos. Viemos de um parto. Pequeninos e indefesos saímos de dentro dos corpos das nossas mães. Pelas vaginas das nossas mães. Saímos sem pruridos, sem pudor, sem aspirações... Saímos só. Zás! Nus e crus viemos ao mundo. Bebés, frágeis, a choramingar... 


Estranho é pensar que certas pessoas também nasceram e deixaram tudo isso lá para trás. Pensar que perderam a consciência do nascer, que se tornaram máquinas de tão civilizadas. Deixaram o instinto, a pureza, a inocência lá bem longe no acto de nascer. Perderam o bom que é ser animal e selvagem. Perderam a liberdade de se desprenderem do certinho e aceitável, do bem-compostinho, do que nos é incutido pela civilidade, do que nos amarra a estereótipos e nos faz morrer.


Estranho é pensar que o nascer e o morrer estão tão próximos quanto distantes...

publicado às 01:44

Melodia Silenciosa

por Mammy, em 18.07.13
Palavra que não se diz porque o olhar já disse

Melodia telepática em dueto que nos embala

Pensamento nosso que sai de outra boca


E dança ao som da música que vem de dentro


Membro que dói e não é nosso

Prazer que nos arde do corpo do outro

Amor borbulhante que vive no ar


E dança ao som da música que vem de dentro


Sonho partilhado em sonos distintos

Uivos em uníssono

Medo que queda no aconchego


E dança ao som da música que vem de dentro

publicado às 02:21

Tantos Anos

por Mammy, em 16.07.13
Em conversa pré-sono digo ao J. que me dói o braço direito por causa do raio do rato do computador.

- Queres que te faça uma massagem? - pergunta.

- Sim, boa! Gosto muito das tuas massagens!

Começa a massajar-me o braço com dedinhos cuidadosos.

- Hum, que bom! Já me dói menos! És muito bom a fazer massagens! Não queres ser massagista quando fores grande?

- Oh não, então eu ficava a dar massagens enquanto os outros iam jogar?

- Jogar?

- Sim, basquete. Eles jogavam e eu dava massagens?! Tinha muita graça, tinha!

(Quem é frequentador habitual aqui do tasco já conhece o desejo do J. em ser jogador da basquetebol quando for grande. Quem não é habitual, pode espreitar AQUIAQUIAQUIAQUI e AQUI)

- Mas podias, pelo menos, fazer um workshop de massagens para fazeres massagens às tuas namoradas e... à tua querida mãezinha.

- Olha, até podia tirar um curso...  - pensa um bocadinho sobre o assunto - Não há cursos desses para crianças?

- Não, só há para maiorzinhos.

- Para que idades?

- Lá para os dezasseis anos... Por isso, ainda vou ter que esperar muitos anos para me fazeres massagens como um profissional.

- Para os catorze não há?

- Não sei, talvez. Mas mesmo assim ainda vou ter que esperar seis anos.

- Seis anos?! Cinco! Mãe, não és mesmo nada boa a matemática.

- Pois... tens razão. Fiz as contas como se ainda tivesses oito anos. Ainda não me habituei aos nove.

- Eu também não. É estranho ter nove anos! Já passaram tantos anos!

Faço contas à minha idade.

- Bem, não foram assim tantos...

publicado às 02:19

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