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| Imagem retirada da Internet |
A menina do capacete cor-de-rosa atirava comida aos pombos, atirava literalmente, como se os quisesse alvejar com os pedacinhos de pão, ou milho, não sei. Os pombos fugiam a cada investida sua. Queriam comer, mas não a queriam ali. Não queriam toda aquela energia e agitação, que lhes eram ameaçadoras.
Ela insistia, "tomem pombos!", "comam!".
O pai, ou avô, esperava abstraído da cena, enquanto segurava a bicicleta, que ainda tinha as rodinhas para quem não se equilibra sozinha a pedalar. Olhava o infinito, enquanto a pequena impingia comida, e a sua presença, aos pombos.
O acto da menina a alimentar os pombos era de uma crueldade ingénua, e o de eles a fugirem-lhe de uma crueldade instintiva.
No seu todo, formavam um quadro de uma beleza incrivelmente... cruel!