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Aqui, fala-se de filhos e de tudo o resto...
Em conversa pré-sono.
- Eu devia era acabar o curso.
- Também acho, mãe!
- Para o ano que vem, devia inscrever-me nas cadeiras que me faltam para acabar o curso. Já que andei lá três anos, aproveitava e acabava o curso.
- Tens razão. Mas devias inscrever-te em quê? Em cadeiras?
- Sim cadeiras, é como se diz "disciplinas" na universidade.
- Ah ah ah ah! Vocês, universitários, são muito engraçados! E como é que dizem psicologia? Banana, não?!
Apetecia-me dizer coisas. Escrever coisas. Escrever, escrever, escrever. Mas as coisas não me saem. Parece que se trancaram cá dentro e não saem.
Vou enchendo e preciso de explodir. Como um balão que cresce com o ar. Estou um balão de coisas para dizer. Mas no silêncio. O silêncio é o meu ar, agora. E enche-me. Enche-me inteira.
Queria a minha vida em palavras. Palavras belas e feias. E belas e feias. Palavras sem fim. Escrever cada letra e formar palavras, e frases, e textos, e contos, e livros. Livros cheios de ar. Do ar das palavras que o vento não leva. Palavras que ficam. Belas e feias. E lê-las. E não gostar delas. E amá-las. E escrever outras.
Queria um mundo de letras. E mergulhar nas palavras dos livros. Viver em livros e histórias. E em pensamentos de papel. Recortar ideias e sonhos e colá-los no papel. Assim, nesta forma que se lê.
Mas essas coisas não me saem.