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Como Podemos Ter Crianças Bem-Educadas Se Temos Adultos Tão Mal-Educados?

por Mammy, em 24.08.13

Badoca Safari Park...

 

Má-Educação Nº 1 e 2

Antes de entrarmos no tractor-comboio que nos leva a observar animais em estado pseudo-selvagem, temos vários avisos, um deles é que não se pode comer durante a viagem. Entramos no tractor-comboio, o guia avisa a tripulação das várias normas de segurança e, quando paramos a primeira vez, vai a mãe da família que segue atrás de nós, saca da caixinha das bolachinhas e toca a distribuir bolachinhas pela pequenada que guincha como se não houvesse amanhã.

 

Má-Educação Nº 3

A cada paragem do dito tractor-comboio, o guia explica-nos as características de cada animal que avistamos. Os rebentos da mesma família gritam de histerismo. Os pais dos rebentos riem da gritaria. O guia não se ouve.

 

Má-Educação Nº 4

Um dos ditos rebentos guinchadores e comedores de bolachinhas quer ver hienas. A mãe do rebento aponta um gnu e identifica-o como uma hiena, depois de chamar gato a um tigre de bengala. Bchi, bchi, bchi, anda cá gatinho!

 

Má-Educação Nº 5

No Badoca há uma girafa feita de madeira para as crianças subirem e brincarem por ela adentro.

Uma menina francesa e o J. esperam que outras crianças desçam para eles subirem. 

Chega uma mãe com dois rebentos minúsculos para uma subida tão grande e perigosa e atira os rebentos para dentro da girafa à frente das crianças que esperam pacientemente a sua vez. Escusado será dizer, que os rebentos minúsculos tremeram só de pensar em descer de tão alto brinquedo e que aqui a chata se passou da cabeça e avisou a mãe dos rebentos que atirar rebentos minúsculos à frente das crianças que esperam a sua vez não é coisa bonita de se fazer.

A mãe ficou ofendida e teve que ser socorrida pelo pai da criança francesa para conseguir recuperar os seus rebentos de dentro da girafa. (Há tareias que não precisam de mãos, ah pois há!)

No final, ralhou com seus minúsculos porque quiseram subir à girafa. (Há gente, que por muita tareia que leve, não aprende, ah pois há!)

 

Como podemos ter crianças bem-educadas se temos adultos tão mal-educados?

Hã?

publicado às 00:14

Tugalândia

por Mammy, em 06.08.13
Era uma vez um país distante situado num cantinho remoto da Europa. Tão distante que a maior parte dos americanos e uma grande parte dos europeus pensava que fazia parte da Espanholândia. Ao contrário do que estes povos pensavam, este país tinha um nome: Tugalândia. 

Neste país pequenino e rodeado por mar por todos os lados menos por um, viviam os Tugas, um povo pequenino de mentalidade, mas grande de aspirações.

Os Tugas estavam divididos em dois grandes grupos: o dos Espertalhex e o dos Otariadex. Mas havia ainda um minúsculo grupo de seu nome Interessadex.

Os Interessadex não tinham grande expressão, como grupo pequenino que eram, ninguém os ouvia. Podiam falar, falar e falar, que o que diziam só era ouvido pelos restantes membros do mesmo grupo. Os Espertalhex diziam que eles só tinham ideias utópicas, que viviam num mundo à parte e que não se conseguiam conectar com a realidade, etc., etc... Os Otariadex viviam fascinados com os Espertalhex e acreditavam em tudo os que estes lhes diziam. Não formulavam opiniões sem que os Espertalhex o permitissem, por isso nem reparavam que para além deles e dos Espertalhex, havia mais um grupinho que habitava aquele país.

Aos grandes grupos vigentes da Tugalândia separavam-nos a matreirice e o poder de oratória. Os Tugas Otariadex não eram matreiros, apenas tentavam ser para imitarem os Espertalhex e o seu poder de oratória era praticamente nulo.

Já os Espertalhex sabiam falar e falavam bem alto. E do alto. Quanto à matreirice, qualquer membro deste grupo, faria corar de vergonha as raposas das histórias infantis. 

Uma das técnicas mais apreciadas deles para aliciar os Otariadex era com doces. Sim, doces! Os Espertalhex sabiam que os Otariadex eram muito gulosos, por isso cada um deles tinha uma arca cheia de doces à porta de casa, que iam enchendo, enchendo, enchendo, até a arca jorrar doces à sua volta.  

Quando os Otariadex por ali passavam, atarefados para apanharem o autocarro que os levaria ao trabalho mal pago que os Espertalhex lhes tinham posto à disposição, olhavam os doces com desejo fervoroso. Alguns chegavam mesmo a salivar de um prazer imaginário, tal cão de Pavlov que ainda não provou o doce mas já sonhou com ele. Os Tugas Espertalhex, tal Pavlovs dos doces, iam experimentando uma campainha, que soavam em forma de palavras por eles proferidas, a cada Tuga Otariadex que passava à sua porta.


Os dias foram passando e os Tugas Otariadex salivando. 

Até que um dia, começaram a achar que os Espertalhex nunca mais se decidiam a dar-lhes um doce. Começaram a ficar aborrecidos e a rosnar um bocadinho enquanto salivavam, mas baixinho para que não os ouvissem muito bem.

Os Tugas Espertalhex, que de parvos não tinham nada, toparam aqueles rosnos e para que os Otariadex não os chateassem muito e não os impedissem de amealhar mais doces, resolveram, ao som campainha, dar um doce a cada Tuga Otariadex. 

Mal ouviram a campainha, os Tugas Otariadex logo se juntaram à porta das casas dos Espertalhex. Vinham de todos os lados. Eram autocarros, comboios, carros, e até mesmo bicicletas, cheios de Otariadex. Saltavam dos transportes e atropelavam-se para ver quem chegava primeiro. 

Neste grupo de Tugas havia sempre um ou outro que tinha veia Espertalhex e que, ora sacava de um embrulhinho a imitar os doces para aliciar os restantes e direccioná-los numa outra qualquer direcção que não a dos doces verdadeiros, ora sacava de uma faca de cozinha e desatava a esfaquear os gulosos adversários. 

Esta guerra entre Otariadex durou mais do que uma semana e foram morrendo alguns até que o primeiro pudesse sequer cheirar os doces.

Os Espetalhex, que faziam corar as raposas das histórias infantis em matreirice, apreciavam deliciados lá do alto das suas janelas, a bulha dos outros Tugas. E só quando o número de Otariadex ficou bem mais reduzido, é que lançaram o primeiro doce. 

Naquele momento, em que o doce voou até pousar na mão de um qualquer Otariadex em compulsão salivar, só se viam Tugas a amarfanharem-se. Era uma visão tenebrosa, mas os Espertalhex rejubilavam. 

Mal os Tugas sobreviventes puderam finalmente provar os doces, sossegaram, mas sossegaram tanto, que quem estivesse de fora juraria tinham morrido.


Na verdade, os Otariadex morreram mesmo, mas apesar de estarem mortos, ainda continuam a ter a ilusão de que estão vivos.

publicado às 00:59

Hospitais Megalómanos Vesus Eficiência Minilómana

por Mammy, em 09.07.13
Cá no burgo construiu-se um hospital "muita" grande. 

Cá no burgo dizia-se, "nos antigamentes", que o hospital não funcionava bem porque não era bem gerido (tinha gerência exclusivamente estatal), ou porque os meios eram precários (instalações velhas, aparelhos médicos escassos e antigos, etc., etc.).


O burgo de cá resolveu a questão: 

- construiu um mega-hospital, com centenas de camas a mais do que o antigo, gerência "by Mellos", quartos individuais de luxo, alta-tecnologia, corredores largos, lojas, parques de estacionamento "a pagantes", pista para helicóptero, televisões em todas as salas de espera, máquinas de comida "à vontadex do freguês", etc., etc.


Mas o burgo destas bandas esqueceu-se de contratar médicos suficientes para que uma criança de nove anos não tivesse que esperar três horas e meia para ser eficientemente atendida quando parte um dedo do pé!


O burgo é burro e pensa que são as coisas que fazem a eficiência, em vez das pessoas...


Arre burgo, que tanto zurras e nada me agradas!

publicado às 01:47


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